sexta-feira, 24 de abril de 2009

Uma nova chance para a vida e a liberdade

Quem nunca leu nos jornais ou assistiu nos noticiários que vários animais foram apreendidos pela Polícia Federal em feiras ilegais, ou então, transportados, também ilegalmente, em caminhões? O mais triste disso tudo é que a grande maioria desses animais não aguenta o martírio da viagem e morre antes mesmo de chegar ao local de destino.
Para ajudar a reverter essa situação de desrespeito à natureza, a Coefa (Coordenação de Fauna) e o Dbflor (Divisão de Biodiversidade de Floresta), ambos pertencentes ao Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), criaram o Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres). Atualmente, existem vinte e quatro Cetas em todo o Brasil e um deles fica no Rio de Janeiro, no município de Seropédica, região Metropolitana.
A função do Cetas é receber, identificar e tratar animais silvestres que chegam através de apreensões feitas pelos órgãos fiscalizadores do governo, de resgate de fauna (quando são resgatados pelos bombeiros) ou então pela entrega voluntária (levados por qualquer cidadão que tenha criado ou pego o animal em algum local). O objetivo principal de todo esse trabalho é a devolução dessas espécies para o seu habitat natural.

Segundo o médico veterinário e analista ambiental Vinícius Modesto de Oliveira, que é o responsável pelo Cetas do Rio de Janeiro e pela criação do “Projeto Bicho Solto”- o projeto visa a soltura dos animais apreendidos ilegalmente. “Em 2008 foram 8 mil animais encaminhados ao Cetas, o maior número registrado desde a sua criação no final de 2002, mas infelizmente esse número pode ser ultrapassado este ano, pois só neste primeiro trimestre já foram recebidos 2.500 animais, o dobro do mesmo período do ano passado”, enfatiza.
Ele também explica que o recebimento por apreensão é o mais grave, por se tratar da retirada das espécies da natureza para a comercialização em feiras de animais (Duque de Caxias, Alcântara, São João da Serra e São Francisco Xavier são as principais) ou para o mercado externo. Além disso, a cada dez animais contrabandeados, sete morrem na captura ou durante o transporte. A maior parte das espécies que chega ao Cetas é oriunda da Costa Verde – litoral Sul do Estado – e da região Norte Fluminense. Eles chegam ao Centro muito debilitados, machucados e traumatizados, por isso a importância do trabalho desses profissionais que, através de muita dedicação, conseguem, na maioria dos casos, devolver a vida à natureza.





O veterinário Vinícius de Oliveira examinando as aves que estavam
escondidas em um caminhão apreendido pela Polícia Federal

As cinco etapas do tratamento

Vinícius fala da importância dos primeiros cuidados a serem tomados quando eles recebem esses animais. “A primeira etapa é a identificação da espécie, do sexo e a quantidade que são registrados em uma ficha de recebimento. Posteriormente, os animais são examinados para saber como estão de saúde e são submetidos à quarentena”, explica.
A quarentena é um período de tratamento onde o animal fica separado dos demais para se verificar a possibilidade de retorno ao convívio dos outros. Após o segundo procedimento, o animal é colocado no recinto adequado à sua espécie, para que a terceira etapa, a de preparação para a soltura, seja iniciada.
A grande prioridade de todo esse processo é a quarta etapa: a devolução das espécies para a sua área de origem. Após meses de preparação, os profissionais do Cetas têm a alegria e a certeza do dever cumprido ao verem esses animais voltarem aos seus recintos naturais. O local de soltura é, preferencialmente, as áreas protegidas, como as Reservas Particulares do Patrimônio Ambiental (RPPN), em razão da maior garantia de que os animais poderão viver seguros e protegidos de qualquer ação criminosa do homem. Outras reservas ambientais, de responsabilidade do Estado ou da União, também servem de destino. É válido ressaltar que alguns dos animais levados ao Cetas, muitas vezes não pertencem à Mata Atlântica e sim a outro bioma, como o Cerrado ou a Caatinga. Nestes casos, os Cetas dessas regiões recebem esses animais e seguem os mesmos critérios para a soltura. A última etapa é o monitoramento dos animais para que os profissionais do Ibama possam saber como eles estão se readaptando ao meio.

A nova sede

Uma mudança importante, que irá ajudar ainda mais na recuperação dos animais, é a construção da nova sede do Cetas. Devido à obra do Arco Metropolitano, projeto que faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e tem a finalidade de integrar as principais rodovias federais que cortam o estado, uma estradas será construída justamente no terreno que atualmente o Cetas funciona, por isso a necessidade de transferir o Centro de Triagem para uma nova área.
Segundo a Secretaria de Obras do Rio de Janeiro, responsável pela obra, a área escolhida para a construção, que tem previsão de seis meses para ficar pronta, é uma faixa de servidão, já desativada, da Central Elétrica de Furnas, situada na Floresta Nacional Mário Xavier.
O veterinário Vinícius deixa bem claro a preocupação na escolha da região da nova sede: “Um dos principais motivos para a escolha da nova localização do Cetas é que não será preciso desmatar absolutamente nada, pois o terreno de 31 mil e 500 m², que já foi uma antiga faixa de servidão de Furnas, tem uma vegetação secundária (degradada), não tendo mata nenhuma para ser retirada”, explica.
O novo projeto visa melhorar a infra-estrutura do Centro para que os animais silvestres possam ter um bom tratamento e, posteriormente, excelentes condições de retornar à natureza. Por isso, o maior Centro de Triagem do Brasil será composto por dois alojamentos para os funcionários, um hospital veterinário, necropsia, sala para educação ambiental, viveiros para aves, mamíferos e répteis, três corredores de voo, quarentenário, setor de serviços e área para reflorestamento.


A conscientização e a colaboração do cidadão

É extremamente importante que cada cidadão tenha consciência de que o tráfico de animais só existe por causa de uma minoria que paga muito caro para tê-los em suas residências, tanto no Brasil, quanto no exterior. A pena para quem mata, caça, persegue e mantém animais sem a autorização das autoridades competentes é de seis meses a um ano de prisão, além de multa. Os prejuízos para o equilíbrio do ecossistema são enormes e é preciso que todo o cidadão colabore, denunciando as pessoas que estão envolvidas com o tráfico de animais, podendo assim, inibir suas atividades.
Um dos maiores traficante do Brasil, Jairo dos Rei, que é reincidente, atualmente está foragido. Ele e sua quadrilha são responsáveis pela maior parte dos contrabandos feitos no país. Muitos animais apreendidos por esses criminosos estão na lista das espécies ameaçadas de extinção. Em outubro do ano passado ele foi pego na Via Dutra, pela Polícia Federal, com 625 pássaros, sendo que mais da metade já estavam mortos.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 160 espécies de aves se encontram à beira da extinção. Esse critério divide as espécies ameaçadas em três níveis: criticamente ameaçadas (redução da espécie em dez anos ou em três gerações entre 80 e 90%), em perigo ( redução de 50 a 70%) e vulnerável (redução a partir de 50%).



Este caminhão vinha de Sergipe e foi apreendido pela Polícia Federal com mil
animais em baixo de seis toneladas de abóbora. Desses mil, 40 eram jabutis e
o restante eram pássaros
.

Para diminuir esse impacto ambiental e atender aqueles que desejam ter um animal silvestre em casa, dentro da lei, foram criadas a partir de 1993, pelo Ibama, diversas portarias e instruções normativas para regularizar a criação de animais silvestres em cativeiro. Os criadouros, como são chamados, têm a autorização do Ibama para funcionar e comercializar animais, onde estes têm toda a assistência de um médico veterinário, sexo identificado, nota fiscal e as demais exigências do Ibama. Podemos concluir então que as pessoas que realmente se preocupam com a fauna silvestre podem perfeitamente adquirir um papagaio, ou outro animal, de forma correta, dentro da lei, assegurando o seu bem-estar e do animal.
É preciso que todos entendam que nós dependemos da natureza e que podemos usufruir tudo aquilo que ela nos oferece de uma maneira sustentável, preservando-a também para as futuras gerações.




Soltura de uma capivara no Reservatório de Lajes - Light S/A


Site do Ministério do Meio Ambiente com a lista dos animais ameaçados de extinção: www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm.
Para sugestões, reclamações e denúncias de crimes ambientais o Ibama disponibiliza a Linha Verde, gratuita para todo o país: 0800-61-8080

5 comentários:

  1. Amiga! Muito bom seu blog. A ideia é excelente não só para os leitores se informarem, mas também para você mesma, que evolui o seu texto. Prática é tudo!
    Este sobre o tráfico de animais está parecendo uma reportagem, não só pelo tamanho, hehe, mas também pelo trabalho, informações e entretítulos. Foi você quem apurou tudo?
    Agora virei sempre aqui visitar seu blog para aprender um pouco mais e, se você me der liberdade, fazer algums críticas contrutivas também.

    Bjão e Sucesso!

    Renata Oliveira

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  2. Oi Rezinha, que bom que você gostou. Eu fui em Seropédica entrevistar o Vinícius, ele me passou todos os dados. Quando eu for lá de novo, eu te ligo, você vai gostar!
    Beijão!

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  3. Prezada Juliana Harb, parabéns pela matéria!

    Vinicius M. de Oliveira

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  4. Achei oho maximo a reportagem!Ela explica muito bem que o tráfico de animais é uma prática ilegal que consiste em retirar os animais de seu habitat natural e vendê-los clandestinamente a laboratórios de pesquisas, pet shops e até para colecionadores.
    Ameeii

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  5. Achei super criativa a reportagem,porque alé de falar a realidade quee infelismente estes pobre animais vivem ele fla tbm quee os aniimais aao serem retirados de seu habitat são transportados de forma que não comem, não bebem o que provoca a morte da maioria desses, muitos morrem asfixiados.
    Infelizmente ée muiito deficil combater este problema !

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